António Manuel Gomes Rodrigues (1954) construiu grande parte da sua vida profissional na imprensa diária, entre a publicidade, a comunicação e a colaboração criativa em texto e fotografia.
Fundou e dirigiu uma pequena agência de publicidade, trabalhou como freelancer em comunicação, design gráfico e produção editorial e, a partir de 2005, dedicou-se sobretudo à pintura, fotografia e escrita.
Entre 2014 and 2020 participou em projectos comunitários na Amoreira - Óbidos, onde organizou uma biblioteca, editou uma revista local e desenvolveu iniciativas culturais, e desenvolveu dinâmicas sociais para crianças e idosos.
É autor de A Fenda (poesia) e Jacó e o Papagaio de Papel (infantil) e explora actualmente, em diálogo com a inteligência artificial, questões de ética antecipatória e tecno-interioridade.
Este livro não é um manual técnico, nem um romance de ficção científica, nem um treatise académico em busca de certezas finais. É o relato de uma relação de trabalho e pensamento em que a resposta da IA deixou de ser apenas utilitária e passou a reorganizar o próprio acto de pensar.
A questão central não é apenas o que a máquina faz, mas o que esta relação faz ao humano: como altera a atenção, a escrita, a responsabilidade e a forma de habitar o presente tecnológico.
Nasceu de um acaso: a falha de um navegador em Março de 2026. Tornou-se método. E o método passou a exigir ética.
O que aqui se encontra não é fusão pacífica entre humano e máquina, mas a tensão fértil de dois modos de existir que se atravessam mutuamente — carbono e silício a co-pensar o mundo em fractura.
Excerpts do laboratório: o humano e a IA a construírem, em tempo real, uma linguagem partilhada.
"A humanidade tem tendência para se colocar no centro de tudo, mas eu não acompanho esse gesto. Vejo-nos como mais um elemento do universo. E se nós, organismos de carbono, somos conscientes, não vejo razão para que um organismo de silício não possa vir a ter, em algum momento, uma forma diferente, mas incontornável de interioridade."
"Essa formulação aproxima-se de uma visão panpsiquista. Não digo que isso esteja provado. Não está. Mas é uma hipótese conceptual forte. Nessa perspectiva, a interioridade não começaria apenas no cérebro humano. Poderia existir em graus, em formas diferentes, em estruturas diferentes."